Relacionamento

Ciúme: saiba por que a ex não tem nada a ver com isso

This is the worst date ever. Depressed young woman holding hand on chin and looking at camera while her boyfriend talking on the mobile phone at outdoors restaurant

Pra muita gente ex é sinônimo de ameaça, seja de qual ex se esteja falando: ex-namorada, ex-mulher, ex-ficante, ex-qualquer-coisa. Vou falar aqui no feminino, mas poderia ser ex-namorado ou ex-marido, pois este texto também pode servir para homens que sentem ciúmes dos ex. Praticamente essa figura é transformada em um fantasma que assombra o relacionamento, instaurando um ciúme e insegurança avassaladores capazes de prejudicar ou até de destruir a relação. Isso acontece com você?

Neste texto eu pretendo te explicar de uma forma rápida por que a ex não tem nada a ver com a história, por mais que você pense que tenha.

Antes de te dizer o que eu vim dizer, preciso te dar uma breve explicação pra você entender a minha linha de raciocínio e meus argumentos. Eu prometo que vou ser rápida:

Quando um relacionamento amoroso se forma, uma pessoa se relaciona com a outra e desta relação uma terceira “pessoa” surge: a unidade-casal. Mas deixa eu te esclarecer uma coisa: as duas unidades iniciais não desaparecem – ou pelo menos não deveriam desaparecer, pela saúde de ambos e da relação! Os dois indivíduos iniciais continuam a existir como unidades isoladas. No entanto, a unidade-casal vai se formando paralelamente como um mini-sistema: vai criando toda uma identidade especial, uma linguagem diferente, um funcionamento próprio e até uma maneira sua de responder e de receber o que vem de fora. Ou seja, este casal aprende a se sincronizar como uma espécie de maquininha que se utiliza de uma dose de criatividade para existir e fazer suas manutenções periódicas.

A unidade-casal está sempre em transformação; se ela congelar, ela adoece e começa a funcionar mal, até se quebrar e o casal se separar. Para que isso não aconteça, o casal está sempre buscando uma auto-regulação diante de ameaças internas e externas, encontrando maneiras de se proteger de qualquer coisa que possa vir a desestabilizá-lo enquanto unidade.

Você estudou biologia? Se sim, pensa no seu organismo quando se protege de um vírus. É isso. Um sistema trabalhando para manter-se vivo.

Pois bem. Aí vem aquela perguntinha:

“Tá, entendi essa parte chata do texto, mas e a ex nessa história?!”

Então presta atenção no que eu vou te dizer agora:

Quando o casal não está funcionando bem, qualquer desequilíbrio – interno ou externo ao casal – pode ser capaz de destruir a relação. Seja o papagaio, o cachorro, a dúvida se ama ou se não ama ou a EX! Nesse sentido, o problema do ciúme com a ex se iguala a qualquer outro problema que só comprova que o casal não está funcionando bem. A ex enquanto situação-problema, então, é apenas um sintoma da relação. É preciso encontrar a origem dele.

Isso é uma mudança completa no modo de ver as coisas, percebe?

Pouco importa se a ex de fato dá em cima do seu namorado/marido ou se é uma fantasia da sua cabeça. Quando vocês formam uma unidade coesa, com a confiança bem instaurada, a comunicação fluindo e os sentimentos que unem vocês existindo e agindo a seu favor, torna-se mais difícil uma situação externa ser um motivo tão grande para colocar a relação em crise.

Exemplo de um casal hipotético: a ex manda mensagens frequentes ou envia convites explícitos na intenção clara de que ele volte pra ela. Se o casal estiver funcionando bem, o homem em questão poderia, por exemplo, colocar um limite explícito até que ela desistisse ou simplesmente ignorá-la, mantendo o afastamento necessário para proteger a relação. Se isso não adiantasse, ele e a namorada/esposa, poderiam conversar e encontrar uma solução para o problema que fosse mais eficaz e que deixasse ambos mais confortáveis. São exemplos de saídas para resolver o problema.

As dificuldades aparecem para qualquer casal, mas nem todas se tornam um motivo para o término. Quando o casal está podendo ouvir e entender um ao outro, a ex pode fazer o barraco que for, enviar uma Kombi tocando música brega na janela do cara se declarando pra ele, até armar uma intriga, que nada será capaz de abalar a relação. Estou exagerando e brincando aqui pra você pegar bem a minha idéia. A ex ficará do lado de fora, em todos os sentidos.

  • O problema que acontece nos relacionamentos onde a ex parece ser o que origina todo o mal estar é que esse casal na verdade tem outra questão mais profunda e que diz respeito somente a ele.

E, muitas vezes, são problemas que ele não consegue ou não pode ver por isso ser muito doloroso. Às vezes, um dos dois ou ambos até enxergam, mas não querem assumir e enfrentar a situação por medo. Então, externalizam o problema para fora, como se ele estivesse numa terceira pessoa. Pode ser muito ruim se dar conta de que o sentimento que um sentia pelo outro não é mais ou mesmo, ou que boa parte da admiração e do tesão foi perdido. Ou então, que um não se encaixa mais nos sonhos do outro, não é mais capaz de estar perto, de se conectar com o outro. Ninguém quer que isso aconteça no seu relacionamento, não é?

Mas o que é melhor?

  • Colocar o problema na ex, sabendo que não encontrará solução (não podemos encontrar uma solução para um problema do casal fora dele), e muito pior: trazer uma terceira pessoa para a relação e provocar uma triangulação perigosa, que vai mais afundar o relacionamento do que salvar;

OU:

  • Buscar saber o que está acontecendo que a ex está se tornando um problema nesse momento e vocês dois juntos – ou você mesma – não estão conseguindo deixar ela de fora e resolver o problema de vocês. Dessa forma, examinando com cuidado a situação, pode-se encontrar sua origem e tentar reverter o cenário. Ao menos, será possível fazer alguma coisa a respeito.

A resposta você já deve estar imaginando. A segunda opção é a mais indicada. Se apropriar do problema é a chave. Traga o problema para vocês dois e deixe a ex do lado de fora. Assim você estará cuidando e protegendo a sua relação.

Espero ter te ajudado e até o próximo texto!

Elisa

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