Relacionamento

Diferença de idade: faz diferença no relacionamento?

Olá,

O texto de hoje é sobre a diferença de idade entre uma pessoa e outra em um relacionamento. Não pretendo aqui esgotar todas as questões sobre o assunto – longe disso! Colocarei apenas alguns pontos, levando em conta que aqui a situação imaginada é o relacionamento entre dois adultos, sendo eles jovens ou não. Aqui buscarei responder a seguinte questão: “Esta diferença de idade faz diferença?”.

Bem, esta é uma pergunta difícil, por algumas razões. Primeiro, porque é algo muito relativo. Começa a complicar a partir do momento em que sabemos que a idade biológica difere da idade emocional: a idade biológica não é uma escala precisa para informar a maturidade de uma pessoa.

O que quero dizer com isso? Vamos lá.

A maturidade emocional vem de acordo com as vivências e tempo próprio de uma pessoa para transformar estas vivências em oportunidades de aprendizado e mudança interna. É como absorver algo do mundo externo, “metabolizar” e conseguir deixar do lado de fora, ou descartar, o que não lhe serve e manter/criar no lado de dentro o que faz sentido. Porém, nem todo mundo amadurece ao longo de toda a vida: algumas pessoas interrompem seu próprio amadurecimento.

Pausa para um detalhe importante: o amadurecimento não tem linha de chegada. Ele é um processo sem fim. Não existe alguém completamente maduro, “pronto pra colher”. Existe, sim, alguém com um alto nível de maturidade emocional.

Continuando!

Determinados indivíduos veem a oportunidade de crescimento em tudo o que vivem; outros, só conseguem enquadrar o que vivem em suas próprias teorias altamente generalizantes e experiências passadas, repetindo a mesma história de novo e de novo em seu repertório. No primeiro caso, temos alguém que facilita seu próprio processo de maturação; no segundo, alguém que provavelmente se interrompe nisso.

A pessoa que está amadurecendo busca crescer dentro de cada experiência que vive: arrisca-se, busca ouvir outras opiniões, vive e formula e reformula suas ideias; ela olha para tudo com o “olhar de uma criança”, descobrindo algo novo sempre. Se permite errar e aprender com os erros. Gosta da novidade. Para ela, é suportável perder o controle algumas vezes. Entretanto, existem pessoas que apresentam uma rigidez maior, muitas vezes estagnam em determinada fase e não conseguem partir para a próxima. Criam opiniões e teorias imutáveis; têm pré-conceitos demais; pensam conhecer tudo à sua volta sem abrir-se para aprender com as outras pessoas e com os acontecimentos. Não gostam de novidade. Querem estar no controle de tudo e não suportam serem criticadas ou contrariadas.

Veja bem: ninguém gosta de ser criticado. Mas no caso destas pessoas é expressamente vedada a possibilidade de que outros as critiquem; quando acontece, é insuportável para elas. Insuportável MESMO. O medo delas de se arriscar é maior do que o medo de que tudo permaneça como está. Estas pessoas, muito provavelmente, estão enfrentando – ou já enfrentaram, no passado – dificuldades por questões que não vêm ao caso tratar aqui, mas que teriam um sentido e importância na vida delas. Cada um encontrará obstáculos diferentes pelo caminho, estando consciente das suas próprias limitações ou não, e também terá sua maneira única de lidar com o que for surgindo.

Entendido isso e retomando ao assunto, o que vai influenciar no relacionamento vai ser o nível de maturidade de cada um: se essa composição faz um bom efeito ou não para os dois. Dificilmente uma pessoa que busca cada vez mais amadurecimento irá tolerar uma pessoa que prefere manter-se em determinado nível. Ou então, pode não ser uma questão de querer: às vezes, as duas querem sempre crescer, melhorar, amadurecer, mas existe uma defasagem muito grande entre a maturidade de uma e de outra. Podem aparecer atritos e insatisfações. Caberá ao casal adequar-se a isso, de forma que ambos obtenham ganhos com a relação. Talvez um esteja disposto a ensinar e o outro a aprender. Mas, vai ser necessária uma boa dose de flexibilidade.

Além da maturidade, há dois outros fatores importantes a serem considerados: em qual etapa do ciclo de vida familiar estas duas pessoas se encontram e se esta diferença de idade significa algo para elas. Como elas estão se sentindo em relação a isso faz toda a diferença.

A etapa do ciclo de vida familiar se refere a qual estágio aquelas pessoas estão. Aqui temos exemplos de algumas fases possíveis: jovem adulto morando com os pais / saindo da casa dos pais / adulto solteiro morando sozinho / adulto no primeiro casamento / casado com filho(s) pequeno(s) / casado com filho(s) adolescente(s) / lançando os filhos e seguindo em frente / divorciado / segundo casamento / segundo casamento com filho(s) pequeno(s) / segundo casamento com filho(s) adolescente(s) / estágio tardio da vida, entre outros possíveis estágios. Lembrando que nem todas estas fases acontecem e não são necessariamente nesta ordem. O indivíduo pode não se casar, não ter filhos; ou então se casar partindo direto da casa dos pais para a vida a dois, sem morar sozinho; ou pode se casar e não se divorciar; ou se divorciar e não se casar de novo, etc.

Citei as etapas do ciclo de vida familiar porque, se as duas pessoas se encontram em estágios distintos – por exemplo, uma é um adulto jovem que mora com os pais e a outra é um adulto recém-divorciado do segundo casamento com filhos adolescentes – elas terão estilos de vida diferentes e poderão estar enfrentando dificuldades também muito específicas de cada fase. Talvez eles também encontrem divergências em seu meio social e/ou em seus gostos para lazer. Talvez. Não estou dizendo que vai ser sempre assim e nem dando certeza, mas é importante para um casal conseguir encaixar a parte social e a parte de lazer de cada um de uma forma compartilhada, e a diferença de fases do ciclo pode ser um fator que dificulta este encaixe.

E, por último, e não menos importante: como é para este casal ter idades diferentes, o suficiente para um deles se questionar sobre isso? Existe algum incômodo? Se sim, seria interessante examinar o que causa o desconforto: se é uma questão que envolve atração física, se envolve maturidade, o estilo de vida, acertos na parte financeira, enfim, o que está em jogo. A partir daí, é possível agir e negociar sobre o ponto que está desalinhado, para buscar um equilíbrio na relação. Cada um poderá verificar até onde é possível se adaptar e até onde não é. Às vezes, algumas mudanças pontuais já podem ajudar, e muito. Em outras, não há muito o que ser feito e não vale a pena os dois continuarem juntos. Só o casal poderá encontrar esta resposta. Se os dois estiverem se sentindo felizes e ambos estiverem ganhando com a relação, isto é um sinal de que a diferença de idade não apenas pode ser algo indiferente, como pode até ser algo positivo! Então, tudo dependerá do seu próprio movimento de reflexão e busca pelo bem-estar. Boa sorte! 🙂

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