Amor · Relacionamento

Como superar o medo de amar?

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Foto: Bára Vávrová Photography

O medo de amar é cada vez mais frequente no mundo atual, onde as relações encontram-se muito fluidas e impermanentes e onde o novo é muito mais valorizado do que o velho. Temos medo de sermos descartados antes que o amor se solidifique. Ao mesmo tempo, há uma rapidez na formação dos vínculos amorosos, onde um forte apego é rapidamente desenvolvido sem que o amor tenha ainda criado raízes mais profundas. Resultado: quando a separação acontece, a dor é vivida intensamente, como se nós estivéssemos nos despedaçando. E, então, vem o medo de amar de novo.

Qual é a causa disso e como mudar esse padrão?

A causa é impossível de ser descrita, visto a complexidade do ser humano e da história de vida e personalidade particular de cada um. Entretanto, posso apontar como um importante fator a falta do auto-conhecimento, o que faz com que crie-se um vácuo/buraco que pretende-se ser preenchido pelo outro. Nós acabamos não amando, e sim nos apaixonando por uma imagem idealizada. Seguimos nos confrontando com a realidade e tentando transformar o outro no que gostaríamos que ele fosse, no que ele não pode ser. É o “amor” que vai machucando cada vez mais e que, quando o relacionamento termina, percebemos que o que doeu não foi perder aquela pessoa e sim perder os sonhos e tudo o que idealizamos. Dói o fato de termos nos perdido de nós mesmos, na busca obsessiva por encontrar um amor aonde não havia amor.

O auto-conhecimento anda muito desprezado atualmente: o mundo sempre tem uma resposta pronta para todas as suas questões fora de você! Em forma de produtos que serão consumidos rapidamente, descartados e novamente comprados. Compramos tudo o que não somos. Buscamos tudo fora de nós, quando na verdade tudo o que precisamos está dentro de nós! Isso se repete quando o assunto é relacionamento amoroso. Buscamos no outro sempre o amor. Mas, ele deve partir de nós primeiro. Receberemos o que emitimos para o mundo. Se emitirmos nossa carência, encontraremos “buracos” vindos dos outros também – pessoas que não serão capaz de nos amar de verdade.

Tudo o que precisamos é nos encontrar com nós mesmos e sermos inteiros. Dessa forma, não teremos mais tanto medo de amar. Nosso amor-próprio nos preencherá por dentro e, assim, evitaremos colocar no outro o peso de nos preencher. Quando não existe esse peso, a relação tem a possibilidade de ser semeada, de crescer e de se desenvolver. É o verdadeiro amor desabrochando aí. “Mas e se houver separação?” – Bem, ela não mais nos arrancará pedaços irreversíveis, pois saberemos que não dependemos de ninguém para encontrar a nossa felicidade. Éramos sós e felizes antes daquela pessoa chegar. A separação fará parte do nosso aprendizado pela vida.

Nascemos sós e morreremos sós, e isso não precisa ser visto com temor. Pois, como querer trilhar um caminho que não seja pelas nossas próprias pernas?

O amor só pode ser dado com o peito cheio (de nós mesmos!). Nunca vazio.

Abraços!

Elisa Florim

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