Psicoterapia: o que é?

A nossa vida emocional é como se fosse a nossa casa. Se a nossa casa está em desordem, se faz um barulho muito alto ou se está muito escuro, não conseguimos ter uma boa qualidade de vida. É uma metáfora interessante, não? Para viver bem, precisamos arrumar a nossa casa: olhar o que tem nela e jogar fora o que não nos serve mais; organizar as tarefas domésticas; fazer reformas, decorá-la com o que mais tiver valor para a gente. É isso que a psicoterapia promove: este cuidar emocional. A nível psicológico e também corporal.

Hands holding one another on a table in prayer

Sendo mais específica, o trabalho terapêutico é composto por diversas técnicas e intervenções que permitem ao indivíduo (em sua esfera biológica, psíquica e social) a criação de novas formas de lidar com as diversas situações e obstáculos que surgem diante dele e dentro dele. Exemplos que podem ser considerados obstáculos: as situações inacabadas do passado, que não ficaram bem resolvidas; qualquer tipo de situação nova que seja difícil para ele(a) se adaptar; as indecisões; a dificuldade nos relacionamentos; lidar com o medo, a ansiedade e outros sentimentos e/ou sensações físicas; a perda de algo ou alguém, que configura uma situação de luto que não foi ou não está conseguindo ser elaborado; vencer a timidez ou a dificuldade de falar em público; depressão, dentre muitos outros.

Paradoxalmente, na psicoterapia quanto mais o indivíduo muda, mais ele se torna ele mesmo. É como uma lagarta que se transforma em borboleta. Existe uma mudança na sua estrutura, na abertura e atitude para que o vôo ocorra, mas isso só acontece porque ela foi ela mesma e aceitou-se como é  – pôde, assim, entrar em contato com a sua força e também com as suas dificuldades. Afirmo que a dor faz parte de todo o crescimento emocional e que, sem ela, não seria possível reconhecer a força interna, ouvir a si mesmo e desenvolver o que chamamos em psicologia de resiliência – capacidade de lidar com as situações adversas mantendo-se emocionalmente saudável. Em outras palavras, conseguir ficar bem mesmo depois de passar pelos problemas ao longo da vida.

O terapeuta localiza onde estão as interrupções de energia do cliente e devolve às emoções o seu fluxo natural de energia, promovendo a integração do organismo como um todo. As formas cristalizadas e padronizadas de funcionamento ganham vida e mobilidade através da retomada da criatividade (esquecida após as imposições familiares e sociais, comuns na nossa sociedade). Desta forma, o cliente passa a conseguir produzir respostas mais saudáveis e criativas, adaptáveis e flexíveis. O trabalho é pautado no princípio da auto-regulação organísmica, onde entende-se que o organismo sempre busca a sua melhor forma de funcionar naquele momento. Acredito que, ainda que não seja plenamente saudável, a forma atual é o máximo que ele está conseguindo dar de si mesmo para ficar bem. Assim, a partir do momento em que identificamos e trabalhamos naquilo que o está prejudicando, o organismo consegue trabalhar bem sozinho, sem a ajuda do terapeuta. O cliente, ao final da terapia, já tem um nível de consciência sobre si próprio mais elevado e já descobriu ou criou novas ferramentas para lidar com as adversidades.

Como funciona?

A terapia individual se caracteriza por sessões semanais de 50 minutos de duração cada uma. Com o tempo e de forma natural o terapeuta e o cliente criam um vínculo terapêutico, onde é possível proporcionar um ambiente adequadamente seguro para que o cliente se trabalhe emocionalmente. O terapeuta, sempre através do diálogo, se utiliza de técnicas e atividades que ajudam o cliente na resolução de diversas questões trazidas por ele: seus impasses, suas situações inacabadas do passado, seus desconfortos, incômodos e o que mais ele desejar trazer para o terapeuta como questão.  Recursos lúdicos podem ser utilizados se necessário, como desenhos, massinha, trabalhos com o corpo, etc. As sessões podem ser mais livres ou mais direcionadas, dependendo do que o terapeuta perceba como necessário para o cliente.

Exemplos de temas que podem ser trabalhados:

  • problemas de relacionamento
  • dificuldade em fazer escolhas
  • ansiedade e/ou tristeza e/ou medo constantes
  • depressão
  • timidez
  • baixa auto-estima
  • sensação de estar “empacado”, “paralisado” na vida
  • problemas familiares
  • problemas relacionados à sexualidade
  • desconfortos físicos sem causas aparentes detectadas por um médico
  • dificuldades para dormir
  • baixa motivação, sensação de baixa energia
  • situações traumáticas
  • sensação de fazer muitas coisas mas ao mesmo tempo não se sentir realizado
  • sensação de vazio
  • angústia

Benefícios:

  • melhora da capacidade para tomar decisões
  • melhora dos relacionamentos em geral (amoroso, família, amigos, trabalho, etc.)
  • aumento da auto-estima
  • melhora do sono
  • desenvolvimento da espontaneidade
  • desenvolvimento da criatividade
  • amadurecimento emocional (sente que está crescendo e cada vez mais estruturado/organizado internamente)
  • aumento cada vez maior da capacidade para lidar com os problemas sozinho
  • aprende a identificar o que sente, quais as suas necessidades e de que modo satisfazê-las na vida
  • autoconhecimento cada vez mais aprofundado
  • aumento da qualidade de vida – física, emocional, relacional
  • aumento da energia disponível (devido aos pesos e situações inacabadas do passado que foram solucionados)
  • aumento da motivação
  • aumento da fluidez na maneira como vive a vida (não se sente mais empacado, consegue fazer escolhas e buscar suas próprias soluções)
  • realização de seus sonhos e desejos: propósitos de vida vão sendo buscados e conquistados…
  • ao invés da prevalência de sentimentos desagradáveis constantemente (como medo, tristeza, angústia), o cliente passa a experimentar outros sentimentos agradáveis (somam-se a alegria, realização, satisfação, contentamento, esperança, prazer, paz).

e por aí vai. Quanto mais tempo em terapia, maior a profundidade do trabalho e maiores são os benefícios.